sábado, 8 de novembro de 2008

Um Relatório Nada Convencional

Guarde esse momento:

Éramos três ou quatro caras,
num lugar onde só nós sabemos chegar.
Havia uma grande pedra, montanhas,
o vento batia forte no peito.

Nem sei pra quê tanto saudosismo
se na verdade nem me lembro direito.
A visibilidade era precária,
tudo como se houvesse algum efeito;
Especial.

E especial é tudo aquilo que você quer de novo,
ou que se lembra vez e outra.
Especial é quem te fez sentir
qualquer sentido que não faça parte dos 5 tradicionais.

Falando em sentidos, eu preciso descrevê-los.
Visão: baixa, vultos à minha volta. Paladar:
de mestre cuca. Olfato: nada a declarar.
Tato: sinto a asperiosidade até numa pedra de gelo.

Mas a mais especial é a audição:
sinto que não preciso de olhos pra enxergar,
nem de paladar pra sentir, gostar.
Olfato e tato ignoráveis
pois meus ouvidos me guiam, me fazem ver
muito além do que o que eu posso fazer,
comer, encostar, não, não... Não!

Quero só o meu par de antenas
pra me dizer o que é real.
Não adianta mentir pra mim:
agora eu sei tudo. E tudo é tão banal.
Nem vem você me olhar assim!
Pois ouço os olhos da mentira.
Ouço tudo e ninguém me ouve.
A rotação e translação,
no bumbo bate o coração.
Escuto bolhas de som
como em um jardim colossal.

É muito e muito especial
momentos pequenos e mesmo assim
os que são de ordem magistral.

A certeza de que há um outro plano
é certa como a decepção
em uma grande paixão;
sem amor.

E sem amor nada se perde, nada se cria
e nada se transforma:
tudo se repete e se copia,
tudo é tão monótono como uma roda gigante com o seu irmão mais novo.
Imagina se ela parasse?

Nem...

Um comentário:

  1. I'm gonna show this town, how to kiss this stars!!!i said!!!fica tão perto daqui..mundo magico cheio de cor!!abraço brow!

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