quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Pra Sempre

Que pena ter de ser assim,
mas agora só posso dizer:
tudo o que ficou será...
pra sempre, pra sempre!
E agora que você se vai,
vê se vai pela sombra irmão,
por aqui nada será igual...
pra sempre, pra sempre!

Mas não me leve a mal,
você me deixou na mão.
Levou tudo mas saiba irmão:
há coisas que não se leva não!
Leva gato por lebre e não vê
que é mais forte se tem coração,
e dedico a você que é irmão:
um adeus, até breve talvez...

Se lembra daquela vez,
saindo, recuperação:
"eu comprei uma batera talvez
possamos juntar para um som!"
E de Dummies até Manacás
nada foi e sempre será!
Não é fácil lutar contra o vento,
mas eu quero ter esse momento.

Leve o corpo e as idéias também,
eu só peço desculpas porque
a alma aqui vai ficar:
boa sorte, cê vai precisar!
Finalizo e é de coração,
entre lágrimas, palavras se vão.
Eternizo essa nossa amizade,
mas acuso: tu foste covarde!

Pra Nunca (O Inimigo)

Qual é o preço das palavras? - indago -
Qual é o preço da arte?
Qual é o preço de algo
que é de mim uma parte?

Tá, eu posso até explicar...

É que o mundo gira rápido,
quem apanha não esquece.
Mas quem bate aparece,
como quem nunca cresce.

Ô meu velinho, pode desistir,
que se depender da minha mente, você deve é falir!
E quando estiver só, no frio, não tiver pr'onde ir,
sincero, dou minhas palavras, pra te confortar e também te vestir.

Rancor é mesmo muito feio,
normal, eu não tenho não.
Mas é que quando você veio
roubou mais que alguns irmãos.
Tirou de uma grande promessa
a inocência do amor.
Tirou eu e toda a festa,
sonhos de um sonhador.

Cara, eu previ e falei,
de sorte, você precisa.
Cara, eu avisei,
e amigo sempre avisa.
Cara, como você é cara de pau,
papo bom, "fenomenal".
Mas essa foi boa só pro meu ego:
percebo o quanto tu és cego.

Cego de ambição, cego de ganância,
cego de coração, cego de ignorância.
Tu és cego, meu amigo, de inocência e de amor!
Mas o teu ego, inimigo, é maior que tanta dor
de dividir amigos unidos por uma causa grande e nobre.
E repito pra que o mundo ouça, o quanto você é pobre.

Pobre de alma, és uma mentira,
só vontade de ser, sem essência alguma.
Pobre de olhos, pobre de mundo,
e por isso acabaste com felicidade "uma".

Mas se queres perdão: está perdoado.
Se for redenção: foi muito pecado.
Pro meu coração: jamais um amigo.
Pr'essa minha canção: O inimigo.

Homenagem à Arte

Ê rasura que eu estou hoje,
só peguei no papel pra escrever coisas fúteis.
Será que só eu que me sinto assim às vezes?
Acordei, percebi como vocês são inúteis.

Pensamentos vazios eu pus Led no talo,
e quem conhece conhece, sabe do que eu falo.
Energia sem igual, uma força animal!
Sintonia geral, quem sabe paga pau!

Saia de si, grite "I ramble on!"
Aumente o som, ouça alto que é bom.
Eu peço só um favor cara... canta no tom...!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Bala Perdida

Ah, aqueles tempos que não voltam mais,
sonhos eram sempre possíveis,
falar não tinha nada a ver com agir, fazer...
éramos sonhadores de sonhos gigantescos sem o menor receio...

De dar certo ou errado, sincero, eu nunca me importei
como é, por onde é, sei que nisso eu sempre errei.
E o pior é saber que pode, mas não faz nada e tudo explode
em emoção, em violão, em paz e dor no coração.

Nostalgia é o maior sinal de que você vivenciou algo mágico,
e saudade é nostalgia real, sem fantasias, coisa e tal...
Mas hoje olho pra mim e sei que estou estático.
E aqueles sonhos que eu cansei de repetir estão logo ali no quintal.

Mas sonhos não esperam pessoas estáticas,
sonhos esperam pessoas que são, e nunca as que só querem ser.
Esperam pessoas que vão, e nunca as que só sonham ter.
E eu, sempre aqui, sonho ter e quero ser,
mas vá... sinceramente... ao menos busco valer...

Valer a pena cada segundo,
e isso eu sempre tentei fazer.
E vale a pena ver o mundo,
e isso eu vou "acontecer".

Ah, desse mundo eu só quero o meu passado e meu futuro,
porque vou te dizer, sinceramente, o presente hoje tá duro!
Mais uma vez sento no bar, repito: "hoje vai, eu juro!"
mas sempre alguém me castra e diz: "o mundo não é assim tão puro."

Mas é que sinto, hoje, aqui dentro: chegou a hora.
E como diz meu velho pai, é "chega o reio e meta espora!"
Mas confesso e hoje eu peço, palavras de quem te adora:
muita calma nessa hora, que quando der eu vou embora...

Ganhar o mundo, sou sonhador, sou criança e sou doutor.
Sou revés, eu sou revolta, ou carro forte sem escolta.
Bala perdida, já atirada, preparo a próxima parada.
E acima de tudo eu sou você, mais um querendo acontecer.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

O resquício da sobra

O local é Beagá, ou melhor, redondezas...
O clima era de chuva, e quem conhece a região sabe do que eu falo:
o céu estava de água como de sujeira o de São Paulo.

A turma chegava num sorriso de quem já conhece os comparsas da vez,
e olhe que "conhecer" é palavra forte pra quem sabe dessa história:
os rostos não negam o sangue, mas a verdade é que não há memória...


À mim - indagou -
família nunca faltou!
Pode ter faltado é sono e fígado
pr'essa gente que sempre abusou.

Mas pra quê falar de falta
se o assunto que está em pauta
nada mais é do que o resquício da sobra
de um cara que passou (e como passou!) esse sangue
de quem não tem limites na obra.

E o pioneiro de toda essa história,
que aliás eu nem conheci,
se remexeu pelos lados de lá,
quando o primeiro Bauer sorri.

Sorri é de muita alegria,
ou talvez muita bebedeira,
sorri que família é família,
ou até por falar tanta asneira.
E das semelhanças mais simples,
sorrio pois sei que é besteira,
caço chifre em cabeça de boi
e encontro, é claro; ora pois!

Uma dose e o gelo amolece,
e a família duma só vez cresce
a turminha afinal se conhece,
e o cara, certeza: agradece!

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Frio & Cia

O frio é árduo e intenso,
o som das árvores contra o vento,
mas pra cama não posso nem olhar,
sei que o tédio lá vai me matar, e os olhos jamais pregar...

nessas noites sinto que a cama é como um furacão
que pega os pensamentos e os eleva a uma imensidão
gira a sua cabeça pra não te deixar dormir
"bernardo, fique comigo, me faz sorrir"

mas por que será que só nesses dias de alta tensão
ela percebe o quanto é solitária?
será que aperta o coração
ou só quer alimentar essa ária?

ah, minha querida,
hoje fico no sofá,
vendo tevê a noite inteira
até o sono me apagar.

Rapidinha

O contexto é simples: cabeça em contradição
sei que vou, mas não sei bem o porquê,
sei que sou, mas não sei se sei fazer,

sei que estou querendo muito e sei que não
faço por onde, nem pra onde,
procuro a resposta mas ela se esconde
nas palavras de quem quer me ver melhor,
de quem eu conheço muito bem e a sentença sei de cor.

Carta ao Eleitor

Pra quê?
Pra quê tanto movimento se a escolha pouco importa?
Palanques são picadeiros banhados por gente morta.

Morta de tentar ser
e não poder,
pois o poder é soberano
e já cansou de nos dar cano.
E ainda tem gente a me criticar
por "fugir" e "abandonar",
sair desse esforço que sempre vingou
com nada mais do que o pão que o diabo amassou.

E me revolto quando ouço o velho papo:
siga a linha - como quem diz: viva este orfanato!

Sem pai nem mãe criados sem saída
as mães que existem são "mulheres da vida"
os absurdos se tornam normais
nenhum "leão" pros animais.
Mas sim um bando de urubus
carniceiros de um lugar onde só há luz
numa utopia tão distante
quanto casamento de amor de amante.

Ah poupe-me de tanta impureza
que aliás já não fui poupado
mas deixa que a minha fraqueza
faça-me fugir pro outro lado
e sincero cantarei "que beleza"
pois meus pivetes serão poupados
de toda essa natureza
de um povo tão desnaturado.

Vou Dizer

Vou dizer...
entre todas as coisas que eu poderia fazer,
não sou nem astronauta nem mesmo ator de novela.
Não tenho dinheiro nem a moça da passarela...

Vou dizer...
que sonhei e sempre vou sonhar com aquela garota,
que menti muitas vezes ao invés de só calar a boca.
Não diz que errei...

Porque sei que ao invés do espaço eu escolhi ser feliz
e não fui de atuar mas sempre fui o que quis
e o silêncio as vezes dói mais do que meras mentiras e valem
e que a garota dos meus sonhos... ao menos dorme comigo!

Vai saber...
e se quando muleque eu ao menos tivesse estudado,
sem correr de dever para engatinhar no teclado:
hoje não violão... mas martelo na mão?

Mas vou dizer...
que ao invés de terno eu prefiro bermuda e chinelo,
e que troco as cinzas por verde, vermelho e amarelo,
e se quer comprar o meu violão... não vai dar não!

Bem vindos!

Bem vindos, meus caros...

...a um mundo de visitas desavisadas,
de mentes atordoadas por tempestades ensolaradas.
De tempestades ensolaradas
por mentes na verdade peladas!

Decidi fazer do escritório o quarto do diabo,
ou até mesmo a suite presidencial...
Do que é simples: um palavriado,
e do complicado coisa normal.

Bem Vindos!