domingo, 30 de novembro de 2008

A Era da Pílula

A cabeça dói.
São os efeitos colaterais do remédio mais utilizado no dia-a-dia do homem: o álcool.

Remédio.
Qual a diferença essencial entre um anti-depressivo e três doses de uísque? Não sei.
Mas sei que o remédio que escolhes, seja ele qual for, surtirá efeito somente no curto prazo.


Estamos vivendo a Era da Pílula.
É tanta gente que eu conheço ingerindo felicidade encapsulada que já perdi a conta.
Parece até que chegamos a um ponto da evolução que resolver os problemas da própria cabeça é coisa de gente atoa. Remédio não é mais pra quem sofre de alguma moléstia, mas pra quem é portador da doença da vida. É a "operação tapa buraco" no cérebro das pessoas.

O pior: o céu é o limite.
Veja você que conheço gente que briga com a namorada e toma remédio pra melhorar! Tem outros que já nem sabem o que é ter sono naturalmente. Parece até que toda a tecnologia que o mercado da medicina desenvolveu foi pra resolver os "problemas" que o homem nunca teve. Agora somos tão evoluídos que fome, sono, e até amor temos que tomar em comprimido. Loucura né?

E loucura é o que não é normal.
Loucura é um mini-caos.
É Hiroshima e Nagazaki, que muitas vezes são mais lembradas pelo que o mundo mostrou ser capaz do que pelas catástrofes que realmente aconteceram.

O que vejo nas cabeças das pessoas são verdadeiras bombas atômicas, que destroem a capacidade de refletir e resolver os problemas da mente e do coração. É o fast food psicológico. É a ação pragmática: tenho um problema, encontro uma solução. Ignorando se daqui a três horas ou três dias o sofrimento voltará.

Ora! Todo mal deve ser cortado pela raiz.
Pra todo problema existe uma causa, e sem saber a causa é impossível curá-lo pra eternidade. Impossível!
Pros que vivem de operação tapa buraco, pensem nisso. A Era da Pílula é regresso no que o homem tem de mais fascinante: a capacidade de refletir e resolver situações adversas.


Quanto à mim, vou ali tomar um copo d'água pois os efeitos colaterais do meu remédio predileto estão à flor da pele.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Manteiga Em Copo De Requeijão

Sou sistemático com a cara das coisas.

Odeio aquelas garrafas verdes.
Sabe aquelas de Heineken ou de Stella Artois? Odeio.
Já ouvi dizer que o tipo de garrafa influencia no gosto da cerveja, e também que o tipo de cerveja é que determina a embalagem... Besteira! Elas tiram a minha magia de beber cerveja. A minha vontade de muito mais do que um líquido, mas de um pôr-do-sol laranja pros finais de dias cansativos ou tranquilos... Aí vem um marketeiro e pinta o meu pôr-do-sol de verde! Fico inconformado e inconformável. Mas tem gente que gosta de coisas "diferentonas" né... E assim morrem os paradigmas.

Também odeio requeijão em copo de plástico!
É uma quebra de tradição inaceitável pros meus olhos. O que será da identidade brasileira sem os copos de requeijão em todas as casas? Cultivar seu armário de copos é tão empolgante, né?
E por alguma desventura capitalista quase acabam com o meu sonho de criar o meu armário de copos de requeijão, esvaziando-os um por um...

Mas isso não vem ao caso. O que vem ao caso é uma singela reflexão sobre o que uma embalagem diz sobre a essência de um produto. A embalagem é o que nos leva a querer, e o querer é o que nos leva a fazer. Talvez se me servissem a cerveja diretamente no copo, ou o requeijão diretamente no pão, eu nem perceberia a diferença no gosto e não haveria problema algum.  Talvez o amor seria mais puro se não houvessem pessoas "embaladas para o amor". É como se a mulher da minha vida fosse uma Heineken e tivesse que entrar numa embalagem de Brahma só pra ser descoberta. E é assim que as aparências nos driblam e decepcionam.

Não dá pra encontrar total pureza no mundo de hoje.

As pessoas cada vez mais se embalam em caixas espalhafatosas só pra chamar a atenção, quando na verdade elas estão ofuscando tudo aquilo que realmente são.
Tudo aquilo que ela nunca conseguiu ser é o que mostra, e o mundo é cada vez mais surreal. As aparências são cada vez mais mentirosas.
Vivemos um universo paralelo, e de tanto atuar passamos a confundir o roteiro com a vida real. Nos vestimos tantas vezes de idéias que não acreditamos, e os poucos que vestem as idéias que acreditam são taxados "extremistas". Ora, que absurdo! Rotular é limitar, e não é porque alguém acredita em algum pensamento que ele não pode desenvolvê-lo.

Será que é tão feio ter, e se orgulhar de ter convicções? Será que é tão bonito se vestir de idéias aparentemente atrativas - e que não os pertence - pra causar impressões?

Eu queria o mundo bem assim: requeijão em copo de requeijão;
e cerveja em garrafa marrom.

domingo, 23 de novembro de 2008

Saudades da Escada

Quero um barco pra mim... Ou talvez uma bolha.

Quero velejar o pacífico, acompanhado e sozinho.
Quero um amor. Aquele meu primeiro amor, que mesmo parecendo uma armação, era cheio de verdade.
Todas as vezes que eu lembro d'uma certa escada, ou daquele "esquema cinema" - hehehe... - Penso: "Quanta besteira! Eu era feliz e não sabia."

E olha que eu já revivi esse depois de "velho". Era tão real quanto a primeira vez, só que com um pouco (bem pouco!) mais de maturidade. Mas o acaso - ou talvez o descaso - nos levou por caminhos diferentes.
Fui estúpido de não me abrir pr'aquele amor que me fazia tão bem.
Fui burro e metido a aventureiro. A única coisa que me policiei para não ser foi "eu mesmo".

Ela sabe disso.
Sempre soube.
E daqui uns dias posso até ouvir que ela vai se casar, ou sei lá, se mudar pra Europa.
Vou ficar triste.

Triste pois sempre haverá uma esperança em mim de que deveria ser ela... Acho que isso acontece pela admiração que tenho... Sonhei a vida inteira com quem sempre foi tão acessível à mim, e toda vez que eu acordo, o acesso está esgotado...

Agora a pouco nos falamos, bem rapidinho. Me aproveitei de uma certa situação só pra trocar meia dúzia de palavras e lembrar daquele sorriso. Acho que era abril ou maio de 2000 a primeira vez que senti esse aperto que sinto hoje... Um aperto bom, pois pessoa como ela não há de haver nesse mundo.

Saudades sinceras... mas agora é tarde, né? Ou será que não?
Isso o presente não vai me dizer, mas talvez o futuro.
Me lembro que na última vez que conversamos entre beijos e abraços nos perguntamos: "Será?"
Aí hoje, nessa crise de saudosismo que estou, resolvi dar uma de psicopata e ver umas coisas dela, e em algum lugar dizia: "tem coisas que não se esquece!"
Será que eu me incluo nisso aí?
Nem sei se merecia.
Nem sei, mas gostaria.


OBS: Ainda bem que ela não lê meus textos...

Nexo Oculto

Controle. Respiração. Bobagem. Cerveja ruim.
Interferir por não interferir.
E interferência é o que muda o curso das coisas, certo? Certo.
Então muitas vezes a falta dela, quando há a expectativa, é mais interferente do que ela propriamente dita. Tá confuso? Experimente um inferno astral.


Experimente a burrice. A contradição.
Tome um gole desse uísque e senta aí pra gente bater um papo.
É... acho que vou. Tomar goles em esquinas escuras e praticar alguns dos meus esportes favoritos.
E és um deles. Dos favoritos... Entendeu? Experimente um paraíso astral.


A inteligência. As idéias.
Só elas vão iluminar: "Anda e vem iluminar, que é pra ver a beleza do nosso amor!"
Sábias palavras... Idéias iluminam a beleza e a riqueza de um amor. E quando a luz está queimada, consertar é bem difícil. Por isso na maior parte das vezes optamos por trocar a lâmpada. A chama da beleza, a luz do sentimento, é sempre a mesma. O que faz a diferença é a lâmpada... Então, tens opções... as constantes e duradouras, ou as instáveis e voláteis.
Eu deixo a minha apagada que é pra economizar.
Procuro o dia de acendê-la pra nunca mais ter escuridão... Será que esse dia vai chegar?
Nem me preocupo, sei que vai.

Experimente a sorte.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Os Opostos e A Coruja

Quase três.
Começo a saga da madrugada.
A saga das mentes atordoadas...

Adoro corujas.
Outro dia li uma fábula fabulosa que contava a história de um certo pavão que vivia a palestrar pela floresta, e de uma coruja, que observava aquele pavão vistoso e cheio de si cair em contradição sem nem titubear. O que lhe importava era unicamente a atenção dos outros bichos. Li e reli a história (que na verdade era tema de uma prova da faculdade), e refletindo cheguei a uma série de conclusões...

Eu queria ser a coruja, observadora e passiva.
Mas percebo que observo muito menos do que deveria, e de passivo não tenho quase nada... Que decepção! Eu que tanto adoro corujas, delas só tenho essa mania feia de trocar o dia pela noite.

Será que isso é um exemplo da velha palhaçada de dizer que "os opostos se atraem"? Ora, isso só é verdade absoluta no universo acadêmico! O que acontece é que nos admira muito a diferença. A beleza humana é a diferença, é a imperfeição, e quando nos admiramos com algo que nos parece "oposto", a verdade é que estamos impressionados com como "o outro" não tem as mesmas imperfeições que nós. E isso nos faz crer na perfeição alheia, e - no meu caso - cria uma ilusão de que a forma de agir da coruja é a mais correta.

Essa ilusão é criada simplesmente pela minha visível incapacidade de tornar-me uma coruja. Sempre fui muito mais pavão. Sempre fui o rei da contradição e amante da oratória. O cheio de razão.

Outro dia uma corujinha - aliás, uma bela corujinha - me atraiu. Desde então estou matutando e não consigo dizer o que é que foi mesmo.
Fiquei encantado com palavras que se saíssem da minha boca eu iria me sentir um completo imbecil. E agora me sinto um completo imbecil de qualquer forma, afinal o encanto ainda não passou e vivo visando o sorriso que coloria as "estupidezes corujais" ao meu lado. Fico pensando como seria um dia-a-dia de um pavão e uma coruja em completa sintonia... Não dá, né?

Digo que dá. E é aí que eu queria chegar com toda essa história de coruja, pavão, polaridade, enfim, essa embromação que aliás eu duvido que alguém esteja lendo até agora (hehehe).

Dá pra haver sintonia, mas pra isso é preciso refletir.
É preciso saber que o outro é outro, e que pro outro eu sou o outro. Que cada dia de coruja começa na hora que está quase acabando o dia de pavão, e é nessa interseção que mora a tal sintonia.
É imprescindível perceber que as mesmas "perfeições" que te atraem, te repelem, e por isso deve-se exercitar os olhos para que percebam as tais "perfeições" como benignas.
O caminho está nos olhos de cada um. O caminho é sempre refletir sobre as imperfeições a partir do "eu", nunca do outro. E é claro, ter o mínimo de percepção pra saber se dentro dessa eterna mistura de pavões e corujas, a que escolhemos vale a pena. 

A saga da madrugada vai chegando ao fim, mais uma vez.
Quase quatro já, e daqui a pouco o pavão acorda.
Tenha um bom dia!

Desprendendo

Tentando desprender
de todas as poucas coisas que me prendem nessa vida,
eu vou buscando a saída,
pra não ser mais um suicida...
...nesse mundo
eu quero mais é viajar,
cantar, amar, chorar,
sem esquecer de pensar!

Meu mundo é assim.
Tudo o que quero deixar pra trás e não consigo,
com medo do desconhecido
e do perigo.

Vou sair!
Deixar pra trás tudo que conheço em busca de nem sei o quê.
Eu vou sim!
Ela também, eu e você!
E nem pense que estou indo
porque estou triste aqui,
é que o mundo me aguarda
e novas portas vou abrir...

Tentando desfazer
as malas... Sinto mas eu sinto que é hora,
sonhos por sonhos ir embora,
são palavras de quem te adora...
...mas não dá mais!
Só sonhar aqui não vale a pena,
mesmo se a alma não é pequena.
Com calma, cabeça serena...

Meu mundo é assim.
Tudo o que quero e vou deixar pra trás pois já consigo,
sem medo de desconhecido
ou do perigo...

Que é sair daqui de minas, da minha família,
ficar só no coração, quero passagem só de ida
pro outro lado do planeta, mas quero companhia...
Afinal nessa vida solidão é garantia...
Afinal nessa vida solidão não merecia...

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Queria Pra Mim (Pergunte a Platão)

Queria pra mim alguém assim, feito você,
que respira e transborda alegria. Alegria de viver.
Mal te conheci mas por um sexto sentido,
ou talvez a soma de vários sentidos comuns,
me bateu um aperto, uma vontade de passar mais tardes ensolaradas ao teu lado.

Eu canto o encanto em que fiquei
enquanto fazias a trilha sonora que nem sei
se eu gosto tanto, ou se é só por ser você.
Se é efeito do encanto, ou se dele é o porquê.

Sabe esses momentos que dá vontade de congelar, guardar,
e vivê-los sempre e sempre?
Eu vivi tantos desses, que já não caberia em pangéia alguma,
mas nesses últimos dias esses momentos estão virando rotina,
e rotina não era sinônimo de chatice, de monotonia?
Estranho...

Um estranho bom...
Quem disse que são só as maçãs podres que contagiam? Hã?
O que me contagiou é muito bom, e acho que eu também já estava bem propenso a ser contaminado por energia tal.
Você atrai o que transmite, transmite o que quer pro mundo, e quer pro mundo o que é inerente à sua personalidade - nem controla, simplesmente é.
E por isso, no fundo, no fundo, algo me diz que preciso de ti.


Nem sei se é você, mas se não for, quero que seja.
Sei que talvez nem tenha sentido tudo isso que senti, mas eu quero...
Quero pra mim. Quero bem assim:
sorrisos, abraços, e beijos sem fim.

sábado, 8 de novembro de 2008

O Vestido Mais Belo (Estava Sujo)

Palavras escritas... Por quê elas andam me fazendo tão bem?
Certamente pelo grande diferencial em relação às ditas:
Elas são pensadas e repensadas. Cada verso é apagado e reescrito da forma mais verdadeira e justa, mais real e menos hipócrita.
Merecem ser lidas e relidas. Interpretadas e reinterpretadas.

A união sempre foi o nosso forte. A verdade sempre foi tão venerada nessa casa, que não vejo razão sensata para eu esconder meus sentimentos de ninguém. Chamar de roupa suja o vestido mais belo do armário? Não cometa essa heresia. Por mais que esteja usado e "pra lavar": continua sendo o mais belo. E mesmo sujo, quando o vê no chão, você ainda sabe que ele é lindo, estonteante, belo, puro, real, cheio de alma... enfim: no dicionário faltam adjetivos suficientes para descrevê-lo, e é isso que abre espaço pra interpretações errôneas.

O que eu disse e quis dizer, foi que apesar de tudo o que possa ter acontecido - e aconteceu - o amor é maior. Disse que muitas vezes a mensagem chegou incompleta. Que sempre houveram divergências e aprendizados, e eu sou o que sou por um acidente. Um acidente. A combinação de uma genética "cabeça dura" e uma vida de guerras intelectuais e físicas com outras "cabeças duras". O que se deu foi um fenômeno antropológico. Talvez o mais comum deles: a psicologia inversa.

E falar de psicologia nessa casa é chover no molhado. Aqui é como se fosse uma biblioteca onde as pessoas podem gritar, mas vez e outra aparece uma bibliotecária chata pra tentar nos calar, e ela acaba por perceber que as regras aqui são diferentes. A regra é se fechar. Discutir as coisas menos palpáveis e se calar pr'as cotidianas. Mas eu encontrei nas palavras escritas a forma mais eficaz de me escutarem. Encontrei o desabafo. Encontrei um pedacinho de tecnologia pra guardar minhas manias, minhas chatices, e vou me resguardar desse direito. O direito do desabafo.

Então não venham castrar meus versos, parágrafos, estrofes ou seja lá o que for. Eu me proíbo de aceitar qualquer sanção às minhas palavras. Liberdade de expressão. O objetivo é a falta de objetivo. "Uma organização desorganizada de uma mente que anda meio atordoada." Essa é a causa e a conseqüência da existência desse blog...
E tenho dito.

Um Relatório Nada Convencional

Guarde esse momento:

Éramos três ou quatro caras,
num lugar onde só nós sabemos chegar.
Havia uma grande pedra, montanhas,
o vento batia forte no peito.

Nem sei pra quê tanto saudosismo
se na verdade nem me lembro direito.
A visibilidade era precária,
tudo como se houvesse algum efeito;
Especial.

E especial é tudo aquilo que você quer de novo,
ou que se lembra vez e outra.
Especial é quem te fez sentir
qualquer sentido que não faça parte dos 5 tradicionais.

Falando em sentidos, eu preciso descrevê-los.
Visão: baixa, vultos à minha volta. Paladar:
de mestre cuca. Olfato: nada a declarar.
Tato: sinto a asperiosidade até numa pedra de gelo.

Mas a mais especial é a audição:
sinto que não preciso de olhos pra enxergar,
nem de paladar pra sentir, gostar.
Olfato e tato ignoráveis
pois meus ouvidos me guiam, me fazem ver
muito além do que o que eu posso fazer,
comer, encostar, não, não... Não!

Quero só o meu par de antenas
pra me dizer o que é real.
Não adianta mentir pra mim:
agora eu sei tudo. E tudo é tão banal.
Nem vem você me olhar assim!
Pois ouço os olhos da mentira.
Ouço tudo e ninguém me ouve.
A rotação e translação,
no bumbo bate o coração.
Escuto bolhas de som
como em um jardim colossal.

É muito e muito especial
momentos pequenos e mesmo assim
os que são de ordem magistral.

A certeza de que há um outro plano
é certa como a decepção
em uma grande paixão;
sem amor.

E sem amor nada se perde, nada se cria
e nada se transforma:
tudo se repete e se copia,
tudo é tão monótono como uma roda gigante com o seu irmão mais novo.
Imagina se ela parasse?

Nem...

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Destinatário

Emancipar... de tudo e todos, é imprescindível.
Se libertar... dos paradigmas e da expectativa que nos persegue desde o momento do nosso nascimento é mais do que necessário, é vital.

Expectativa é um dos grandes males do mundo, precede decepção. E principalmente no que nós não temos controle, pode ter certeza: haverá decepção de alguma forma.
Não crie expectativa: ela gera dor, isso eu aprendi com o meu irmão.


Você vive questionando as minhas decisões, o que eu faço ou deixo de fazer, não entende e não quer entender o porquê desse meu "desleixo", apesar de eu sempre sinalizar. Não sabe e nem quer saber o que eu quero pra mim, mas tem plena consciência do que você quer pra mim.

Não sou o que quis pra mim naquele 9 de janeiro de 1988. Não sou e não quero ser. Apesar de eu nem saber exatamente o que é que querias pro meu futuro, eu não sou!

E também não fique fazendo comparações na sua cabeça, e eu sei que fazes. Não sou estudioso como o meu irmão, mas tenho os meus métodos de aprendizado, que são de certa forma eficazes quando os utilizo. Não sou determinado como a minha irmã, mas isso tudo é pela minha ambição que julgas tão "pequena". Minha determinação existe, ela só não é doentia como a de muitos na história dessa família.

Mas ainda assim, queria que percebesse a pessoa que eu sou, e não que ficasse imaginando como eu deveria ser. Queria que você me apoiasse nessa minha revolta com tudo o que há de errado nessa família e nesse mundo. Queria, do fundo do coração, que você me amasse mais. Queria que sentisse em mim o orgulho que sente neles. Mas isso, como eu já disse, é só expectativa, e expectativa precede decepção.

E a decepção vem... Fico muito triste todas as vezes que vejo o seu olhar de desprezo pelo meu dia-a-dia "vagabundo". Lágrimas escorrem por dentro de mim todas as vezes que insiste em repetir: "você não faz nada!". Mas engulo e entendo.

Entendo que quebrei suas expectativas, e que isso te deixa muito triste. Entendo a dor que deve ser, ver o filho de 20 anos de idade sonhando em ganhar o mundo com um violão nas costas, e o pior: nem fazer por onde. Sei que você não questiona os meus fins, e sim os meios. Sei que você acha que eu tenho talento, mas sou preguiçoso.

Mas - se é que te interessa - o que você chama de preguiça, eu chamo de "timing", chamo de "hora certa". Acho que ainda não está na hora do mundo conhecer o meu talento, a minha arte. Ainda estou incompleto e tenho plena lucidez disso. Tenho que me lapidar e faço isso a cada minuto do que persistes em julgar como "ócio".

Se quer insistir em chamar de "nada" todo o meu processo criativo, se insiste em achar que meu dia-a-dia é vazio de coisas importantes, se insiste em pensar que eu sou muito menos do que eu acho que sou, tudo bem, pense o que quiser.

Mas o que eu peço, e do fundo do coração, é que pare de achar que está "jogando isso na minha cara", pois não está! Toda vez que repete suas afirmações inflexíveis e preconceituosas, eu, do lado de cá, engulo a raiva que me bate, e levanto a cabeça com a certeza de que faço o melhor pra mim.

Se quiser saber mais de mim e do que faço no meu dia-a-dia que insistes tanto em questionar, pare um segundo de questionar e apenas observe. Pare de falar e ouça. Pare de bater e sinta. Tenho certeza de que verá muito mais do que seus olhos vendados andam vendo.

Quando pequeno apanhei. Desde de beliscão a cinto, de tapa a chicote. Mas seus olhos vendados não te deixaram perceber que a cada chicotada, cada beliscão, escorriam centenas de lágrimas no meu rosto, e cada uma dessas lágrimas me dizia pra cada vez menos te escutar. Cada vez menos eu queria ser o que você sonhava pra mim, e cada vez mais eu queria ser alguém diferente, alguém iluminado. Cada dever de casa que eu perdia, e conseqüentemente apanhava, eu deixava de fazer mais dez. E esse espírito revanchista me dominou todos os dias da minha vida, até hoje.

Mas hoje respiro com novos pulmões, enxergo com novos olhos, e sei que só queria o que pensava ser o meu bem. Sei que tudo o que fez foi por amor. Sei sim. Te amo e nunca deixei de amar, mas me deixa, vá. Me deixa ter as minhas atitudes, e quando discordar, argumente comigo, diga porque acha que estou errado. Ao invés de insistir em tentar me mudar, tente me entender.


Te amo e sempre amei, mãe. Te amo e sempre amei. E as lágrimas que escorrem no meu rosto em quanto busco as melhores palavras pra finalizar esse texto, são muito mais significativas do que todas as que mencionei anteriormente.  São de redenção e de amor. Redenção por tudo o que eu tenha dito ou feito hoje, ontem ou amanhã. E de um amor que é o maior do mundo. Te amo, mãe.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Prelúdio às Putas (autor desconhecido)

A poesia está no cio,
chegou a vez de gozar com as palavras.
Se pornografia quer dizer falar de putas
então vamos abrir as pernas à todas as palavras!

Viva a puta merda,
a puta velha
e toda puta que pariu.

A repressão que castra nossos versos
é a mesma que censura nossos corpos.
Sigam-me os que forem pornográficos!
Vamos fazer turismo e conhecer nossos corpos.

Uma é bom!
Duas é ótimo
e três é melhor ainda!
E o movimento pornô quer é mais.

Sacanagem não é aquilo que fazemos na cama
e sim o que o governo anda fazendo conosco!




Bom, é a primeira vez que posto um texto que não é meu, mas é que esse é merecedor. Eu o ouvi há uns 3 ou 4 anos, de um professor, anotei e achei guardado por aqui hoje.

domingo, 2 de novembro de 2008

Essa Paz

Que é que foi aquilo?
Eu peguei o talher e comecei a tremer. Minha boca secou, fiquei pálido.
Minha pressão foi lá em baixo, e eu que nunca tenho essas coisas, estava nervoso como nunca.
"Ansiedade", pensei. E tentei continuar a minha refeição, mas era impossível.
A trilha sonora eu me lembro bem: Mr. Brightside do The Killers.

Levantei da cadeira, chorando sem razão alguma. Não entendia o que acontecia.
Eu, que nunca fui religioso nem nada, ergui minhas mãos aos céus e deixei essa energia me dominar, pra ver se eu entendia: não entendi.
Liguei pros meus pais e melhores amigos, pra ver se melhorava, mas as lágrimas escorriam incessantemente no meu rosto.
Eram lágrimas pesadas, com algum significado que eu não entendi, foi incrível.

Prossegui. Dei uma volta no quarteirão
enquanto o vento frio batia no meu peito e tentava me avisar, não entendi.
Cheguei no local do show, e a correria era tão grande que os pequenos sinais
eu nem percebia mais.
Mas a energia que me dominava ia explodir, e foi São Pedro o encarregado: Bum!
Blackout em todo o quarteirão.
Aquele ensaio de mais cedo, o melhor de todos os tempos, não teria resultado naquele palco ali, naquela hora.

No caminho de casa, essa energia me perseguiu e eu chorava como quem sofria sem saber com o quê.
A neblina fechou a estrada, e as lágrimas ainda molhavam o meu colo. Chovia lá fora e aqui dentro.
Mas até que enfim um alento, sentei com um irmão na mesa, pra discutir essas coisas.
A trilha sonora agora era outra: How Bizarre.

O clima agora era mais ameno, a decepção era clara nos nossos rostos, mas a certeza da volta por cima era maior.
Tardiamente eu decifrava aqueles sinais. Era um aviso.
Podem falar o que quiser: eu senti. Só eu sei: foi intenso.

Há quem diga que isso é "mau olhado", "inveja", que o mal venceu o bem: eu não acredito.
Depois de refletir muito sobre o assunto, eu percebi que é justamente no que aparentemente "eu perdi" que eu ganhei.
Ganhei sim. Ganhei uma crença, ganhei um contato. Eu tenho um contato e não há tecnologia que possa nos "grampear".
Depois daquele momento, já foram várias tremedeiras e arrepios, ainda não sei decifrá-los.
Mas eu sei que tem algo me acompanhando, sempre. Não sei o que é, nem quero chamar de Deus.
Eu quero chamar isso simplesmente de uma energia. É matéria, é coisa da Terra. São elétrons, prótons, sei lá.

E nem é ceticismo da minha parte não: é que eu senti e sei que é real. Tão real quanto a gaita de "How Bizarre" ou a batera de "Mr. Brightside".
Foi tipo aquela energia dos meus primos Bauer's. Tipo aquela energia do ensaio que precedeu esse acontecido.

Eles não sabem, mas eu sei;
Eles não querem, mas eu quero;
Eles não vêem, mas eu vejo;
Eles não sentem, mas eu sinto;
essa paz.


"Ooh baby,
it's making me crazy
every time i look around
it's in my face:
How Bizarre: How Bizarre!"

É Certo o Incerto ("sem significado algum")

Eu não entendo o porquê dessa história nunca ter acontecido.
É como se fosse um seriado, que você não precisa acompanhar todos os episódios pra se divertir.
Um seriado dos bons, tipo um "Two and a half men" assim: me divirto!
Eu nem preciso contar isso a ela. Nem precisamos formalizar nada, é tudo tão real e tão puro. Tão intenso e tão picado.
Já devem fazer uns 3 anos, e nada: não há necessidade.

Às vezes me pego pensando em como seria se agente se amarrasse.
Mas pra quê mexer em time que está ganhando, será que poderia ser melhor?
Nem sei... nunca sei. Dúvidas, dúvidas e mais dúvidas: clássico da minha pessoa.
Mas mais clássico que as dúvidas é a minha comodidade. Não mexo um dedo pra mudar nada que não me incomode, e isso não está me incomodando: muito pelo contrário.

Eu acho que o que faz essa história ser tão divertida é essa certeza incerta de que agente vai se reencontrar.
Essa certeza tão incerta que eu já nem me preocupo: "ela vai vir", "ela vai voltar". E toda vez que ela voltar, parece que eu vou estar aqui, esperando quase que ansiosamente.

Nem sei exatamente o que se passa no dia-a-dia dela, e não é por desinteresse. É que quando agente tá junto é tudo tão bobo, tão simples, tão sincero e tão divertido.
E é claro, as pequenas coisas, as pequenas manias, piadas. Um alento pra mim, que ando sempre tão preocupado com assuntos ditos "maiores", e me esqueço da felicidade tão simples de ser um idiota. Um idiota completo, que nesses momentos não quer saber nenhuma informação "importante", quer só sorrir.
Sorrir como gringo em carnaval carioca, um sorriso sem sentido, um sorriso puro.
Quero sorrir o sorriso mais idiota do mundo, aliás, quero gargalhá-lo.

Olha, poderia até dizer "eu te amo", mas não vou cometer essa atrocidade.
Prefiro ficar com as frases bobas e "sem significado" pra quem não conhece esse contexto.
Prefiro o seu sorriso e a maneira como me faz sentir mais leve.
Parece que você nem quer saber de mim nem do mundo, e isso me faz sorrir.
Me faz escrever esse texto com um sorriso no canto da boca, enquanto "pipocam" suas bobagens no meu msn.

Acho que eu nunca tive um relacionamento tão duradouro...
"Acho" não, tenho certeza...