segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Surreal; Divina; Enérgica e Clássica

A força do silêncio que precede o esporro só é superada
pelo sentimento de leveza que prosegue o mesmo.
Sinto que corrigi o que era passível de correção.
Sinto, sincero e do fundo do meu coração:
Tirei uma inspiração caracterizada simplesmente assim:
surreal; divina; enérgica e clássica.

Surreal.
Que sai do que é normal.
Pula de canto a canto sem explicação mental.
Fenomenal, matou a pau, foi muito mais que um simples "tchau".

Divina.
Só pode ter vindo de cima pra baixo.
Saí d'um jogo feio e sujo, o qual eu nunca me encaixo,
Consegui, pelo menos até certo ponto, botar na ferida um "enfaixo".

Enérgica.
Energia é com certeza uma palavra que sempre me definiu.
Seja pra arte, discussões, esporte: sempre tenho muito pra queimar.
E dessa vez não foi diferente, o silêncio que precede o esporro foi tão longo que me tornei em uma bomba atômica, que explodiu no alvo e lugar errado.
Mas a mesma energia atômica que me dominou em um primeiro momento,
foi dominada por mim em um segundo.
Sou carro forte desenfreado, consistente, também pesado,
nem sempre com cabeça, mas conteúdo partilhado.

Clássica.
Depois de tanta desclasse de minha parte, tomei um banho, passei gel, coloquei o meu melhor terno e hoje me sinto leve como quem se veste para ir à praia.
Classe, com certeza não é uma palavra que me caracteriza bem sempre,
mas dessa vez eu tive.
Classe é saber fazer,
nos lugares e maneiras perfeitos,
e tudo que faltou em um primeiro momento sobrou em um segundo.


E seja de terno, sunga ou chinelo, agora eu posso relaxar.
Se quer dizer que foi culpa minha, pode xingar, me acusar. (É mentira!)
Essência, essência, essência! Eu tenho, posso gritar
pros quatro ventos ou sete mares, sou feliz, vou extravasar!

domingo, 26 de outubro de 2008

O Limite (Ressaca Moral II)

Criei polêmica. E dessa vez nem me orgulho disso.
É que os ditados mais simples como "quem herda não furta" ou "em briga de marido e mulher não se mete a colher" são os mais verdadeiros.


Não devia ter me metido, mas me meti.
Foi álcool, emoção, superproteção desnecessária.
Foi uma reação que veio de dentro pra fora,
eu não me controlava, e nessas horas ninguém me controla.

Estava lá: um amigo, um parceiro, um irmão.
Lidando com o que eu já conheço, inocente como eu já fui um dia.
E a inocência é tão pura, que palavras nem adiantam... Ação!
Quero pedir desculpas, mas nem sei se devo.

Afinal, agi nobremente em favor de alguém que é
como uma extensão de mim mesmo, só que num outro pé.
Mas eu é quem foi ingênuo. Ingenuidade por instabilidade,
talvez por um passado que eu vivi, e que com toda propriedade: não queria pra ti.

Ressaca moral: certeza. Mas não sou só eu não.
Muitas cabeças latejam nas lembranças de uma noite nada normal.
Eu nem lembro bem as palavras que eu usei, mas sei essencialmente qual era a mensagem:
Aceite as diferenças ou simplesmente não aceite.

Se aceitar: aja como tal, respeite, faça valer, acontecer.
Sem jogos e vaidades, como as que costumam ter.
Se não aceitar: dê meia volta e volte.
Volte a viver a normalidade de quem não tem um amor.
A simplicidade tão agradável das amizades que sabes ter.

À ela, peço desculpas.
Se em algum momento entendeu ser algo pessoal, não é.
Como eu já disse, foi só superproteção de quem conhece essa história e sabe o fim.
Mas fui ingênuo de querer evitar o que deve ser vivido,
discutir o que não deve ser discutido,
e enfim: cutucar com vara curta um ego e um coração ferido.

À ele, mil desculpas.
Eu não tinha esse direito.
Mas me senti ter o dever.
Eu que sempre prego respeito.
Me excedi, deixei correr...

Desculpas sinceras, vindas de mim,
são quase um fenômeno sobrenatural.
Mas minha arrogância tem limite,
e eu acabei de encontrá-lo.

Até quando isso tudo diz respeito à mim?
Digo, sincero, que até certo ponto.
Mas até quando eu poderia interferir?
Certeza, nisso eu passei do ponto...
Eu passei do ponto...

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Pode gozar, sacanear: Ele não vai te castigar

É a sorte e o azar.
Faz a morte e gargalhar.
Meu Deus existe sim,
e eu gosto dele até o fim.
Me premia todo dia,
melhor que o Deus da covardia,
Ele é amigo, é companhia.

Tem uns Deuses por aí,
que não respeitam o errar,
não deixam você sacanear,
falar, pensar e nem gozar!

Meu Deus não.
Ele me aceita, e sempre flue ao meu favor.
Me deixa beber, fumar, extravasar
depois me manda pro doutor.

Meus erros: penitenciar que nada,
Ele é poderoso e resolve qualquer parada.
Os acertos também nada de afago,
me deixa sair e encher a lata até a hora que eu apago.

Porque esse Deus dos outros é tão mão fechada?
Ou a cabeça deles é ruim, ou eles não sabem é de nada.
O cara é bom, Ele resolve. Mas só pra quem sabe o chamar.
Pros que gritam, esperneiam, o cara sai: vai viajar.

Esse Meu Deus é só pra quem é velho conhecido,
chamo Ele no olhar. E Ele sempre dá ouvidos.
Ele é rude e tenebroso, só pros que me querem mal,
pra quem me gosta, Ele é parceiro, Ele é irmão, Ele é "o tal!"

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Sete a Tete

São 7 cabeças, mas não é monstro,
aliás, longe disso.

É diversão e aversão: sempre.
É discussão que parte de coração e de razão: simultaneamente.
É inevitável o sorriso, como após um tropeço qualquer.

Há para todo o mundo,
pois quando não há,
ele não se chama assim.
Cada um tem seus trejeitos,
suas manias, seus afins.

Cada qual faz um tipo, estilo,
a maior parte são loucos, um ou outro mais tranquilo.
Casados, solteiros, uns de namorada.
Guerra, gargalhada. Política e futebol: piada.

Mas o mais incrível, é que às vezes nem sei falar
qual o qual que é mais legal?
Quem, alguém me faz mais bem?
Não há resposta: bato aposta!

A resolução está nos olhos:
não há razão, só emoção.
É que preciso de todos e todos de mim.
do alívio e da tensão, do começo, meio e fim.

É como se a minha família fosse meus pés
e eles fossem os joelhos.
Como pra sorte, o revés,
pro amarelo há o vermelho.
Pro verde, há o próprio verde,
reafirma o que é real.
Nesse plano ou em outro qualquer
tudo isso é como é: fenomenal.



É uma daquelas coisas impensáveis de se viver sem.
Da cerveja faz-se mar.
Do que é proibido faz-se ar.
Da vodca, fiz caipi-cerva.
Pro que um futuro próximo nos reserva.

Sete é primo e é moleque.
A certeza: que a fonte seque.
Que é pr'eu correr atrás das novas,
criar fatos, fotos, provas.

Vamos viver tudo o que há,
mas vamos juntos, em companhia.
Vamos sair, e viajar,
fazer da vida essa folia.

E quando, e se, eu me esquecer,
por doença, ou por me perder:
me ligue, me busque onde quer que seja,
me dê uns tapas, e abra a cerveja.
Me xingue, chute, encha a caneca
lembre quando eu nem era careca.

E por favor, lembre que um dia,
um dia eu disse bem assim:
felicidade existe sim,
só ter vocês até o fim.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Maior que o essencial: Ideal Natural

Pára: paro. Sigo o faro,
o momento é raro.
Sobrou preparo
pro quê? Nem sei.
E nem sei...

E nem quero saber,
quero te ver,
ganhar sem perder,
valer meu poder.
Meu poder...

A quem quer..
enganar, e falar que não há
nada maior do que o essencial?

Há, sim.
Supérfluo é nada,
só o que não pode pagar,
porque se pudesse
seria necessidade, certeza.

Inútil é você,
que quer de menos e faz de mais.
Que quando quer é incapaz
de saber e pensar o complexo e o ideal,
o valor natural... ideal natural.

A quem quer...
enganar, e falar que não há
nada maior do que o essencial?

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Enlouqueça, acredite, e vá

Acontecer.
É mais do que contar
mágoas ou alegrias:
é ser, fazer, acontecer.

Eu já nem consigo
me prender mais.
Nesse momento meu próximo(e único)
compromisso é de enlouquecer.
Enlouquecer de mim e de você.
De tequila e de você.
E quem sabe com você.

Não: não se apegue.
Nem a mim, nem a ninguém.
Não vale a pena.

Acredite:
Não sou mal caráter.
Mas também não sou
nenhum santo, e nem queria ser.
Como aliás, você já soube perceber.

Acredite,
eu nunca menti.
Nem pros outros nem pra ti.
Sincero, acho que nunca precisei.

E quanto a você, já nem sei,
mas te cuida, vá.
Te cuida... e vá.

Vá até se encontrar.
Vá, esqueça e lembre de tudo isso.
Ou nem esqueça...

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

(Shh!)

Pior que tristes palavras
é o silêncio e sua própria essência
que quem sente já percebe as mágoas
que é fruto de tanta carência.
Pior que qualquer notícia macabra
é o silêncio que precede a palavra...!

Ah se eu pudesse saber
amanhã e depois como ser,
estou certo que eu iria pirar
de saber que não posso mudar.
Pior que a dor do "prever"
é a impotência de atos pros fatos!

Silêncio dói mais que mentiras,
silêncio dói mais que omissão.
Oh silêncio, fonte da dor,
não consigo me livrar desse horror.
Abra a boca, conte qualquer segredo,
grite logo, não só aponte o dedo!
Resolva isso logo, bem cedo!
Mas não me deixe aqui só com esse medo.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Pra não partir

Sempre: inexistente.
Nunca: provavelmente.
Culpa: nunca é d'agente.

E é pensando nisso que algumas palavras me bateram à mente.
Será que às vezes tem coisa que acaba e agente nem sente?
Acredito que sim...


Eu não quero é dizer tchau.
Ou acho que não tenho é coragem.
Mas esse ciclo que aqui se fecha,
peço que na mente vocês gravem.

Pedaços ficaram pelo caminho,
e hoje eu me sinto tão sozinho.
A cabeça é um redemoinho,
a rosa mais que um espinho.

Se falta vontade, afinidade é a sobra.
Se amor há demais, pouca mão-de-obra.
Eu não quero dor, quero uma amizade,
é um tipo de parceria que vale eternidade.

Isso não é despedida,
só rua sem saída.
Amanhã quem sabe
outras portas se abrem?
Pra mim, pra você,
pra nós e quem ficou.
E aí vou saber:
o melhor ganhou.

Fica aqui um testemunho,
uma vontade, uma paixão.
De quem tem que decidir
pra não partir (mais) o coração.

E nem quero partir.
Nem partir de ir, nem de dividir.
Mas momentos assim hei de intervir
pra que amanhã possamos sorrir.