terça-feira, 25 de novembro de 2008

Manteiga Em Copo De Requeijão

Sou sistemático com a cara das coisas.

Odeio aquelas garrafas verdes.
Sabe aquelas de Heineken ou de Stella Artois? Odeio.
Já ouvi dizer que o tipo de garrafa influencia no gosto da cerveja, e também que o tipo de cerveja é que determina a embalagem... Besteira! Elas tiram a minha magia de beber cerveja. A minha vontade de muito mais do que um líquido, mas de um pôr-do-sol laranja pros finais de dias cansativos ou tranquilos... Aí vem um marketeiro e pinta o meu pôr-do-sol de verde! Fico inconformado e inconformável. Mas tem gente que gosta de coisas "diferentonas" né... E assim morrem os paradigmas.

Também odeio requeijão em copo de plástico!
É uma quebra de tradição inaceitável pros meus olhos. O que será da identidade brasileira sem os copos de requeijão em todas as casas? Cultivar seu armário de copos é tão empolgante, né?
E por alguma desventura capitalista quase acabam com o meu sonho de criar o meu armário de copos de requeijão, esvaziando-os um por um...

Mas isso não vem ao caso. O que vem ao caso é uma singela reflexão sobre o que uma embalagem diz sobre a essência de um produto. A embalagem é o que nos leva a querer, e o querer é o que nos leva a fazer. Talvez se me servissem a cerveja diretamente no copo, ou o requeijão diretamente no pão, eu nem perceberia a diferença no gosto e não haveria problema algum.  Talvez o amor seria mais puro se não houvessem pessoas "embaladas para o amor". É como se a mulher da minha vida fosse uma Heineken e tivesse que entrar numa embalagem de Brahma só pra ser descoberta. E é assim que as aparências nos driblam e decepcionam.

Não dá pra encontrar total pureza no mundo de hoje.

As pessoas cada vez mais se embalam em caixas espalhafatosas só pra chamar a atenção, quando na verdade elas estão ofuscando tudo aquilo que realmente são.
Tudo aquilo que ela nunca conseguiu ser é o que mostra, e o mundo é cada vez mais surreal. As aparências são cada vez mais mentirosas.
Vivemos um universo paralelo, e de tanto atuar passamos a confundir o roteiro com a vida real. Nos vestimos tantas vezes de idéias que não acreditamos, e os poucos que vestem as idéias que acreditam são taxados "extremistas". Ora, que absurdo! Rotular é limitar, e não é porque alguém acredita em algum pensamento que ele não pode desenvolvê-lo.

Será que é tão feio ter, e se orgulhar de ter convicções? Será que é tão bonito se vestir de idéias aparentemente atrativas - e que não os pertence - pra causar impressões?

Eu queria o mundo bem assim: requeijão em copo de requeijão;
e cerveja em garrafa marrom.

8 comentários:

  1. hehehehe.. podem xingar, eu não ligo.

    o que importa é que o galerui está marcando presença.

    auuuu titii!!

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  2. Boa Bernardo Bauer!
    Bacana pa Bosta esse Barato de Blog!!

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  3. e qual é o produto que existe dentro da sua embalagem?

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  4. Como eu já disse, é impossível encontrar total pureza hoje em dia, e eu não sou excessão.
    Descrever o produto da embalagem de cada um é uma coisa ainda mais inalcansável, principalmente a de si mesmo.
    Mas o que eu posso adiantar é que tento ser o que mostro, e mostro ser o que sou. Mas como contradição faz parte de tudo o que sou, acabo sendo nada mais do que Manteiga em Copo de Requeijão também.
    É... Falei, falei, e não falei nada... e você, anônimo? Se seu produto é o que te embala em todas essas mensagens... então... É... deixa pra lá...! Heheheh..

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