domingo, 2 de novembro de 2008

Essa Paz

Que é que foi aquilo?
Eu peguei o talher e comecei a tremer. Minha boca secou, fiquei pálido.
Minha pressão foi lá em baixo, e eu que nunca tenho essas coisas, estava nervoso como nunca.
"Ansiedade", pensei. E tentei continuar a minha refeição, mas era impossível.
A trilha sonora eu me lembro bem: Mr. Brightside do The Killers.

Levantei da cadeira, chorando sem razão alguma. Não entendia o que acontecia.
Eu, que nunca fui religioso nem nada, ergui minhas mãos aos céus e deixei essa energia me dominar, pra ver se eu entendia: não entendi.
Liguei pros meus pais e melhores amigos, pra ver se melhorava, mas as lágrimas escorriam incessantemente no meu rosto.
Eram lágrimas pesadas, com algum significado que eu não entendi, foi incrível.

Prossegui. Dei uma volta no quarteirão
enquanto o vento frio batia no meu peito e tentava me avisar, não entendi.
Cheguei no local do show, e a correria era tão grande que os pequenos sinais
eu nem percebia mais.
Mas a energia que me dominava ia explodir, e foi São Pedro o encarregado: Bum!
Blackout em todo o quarteirão.
Aquele ensaio de mais cedo, o melhor de todos os tempos, não teria resultado naquele palco ali, naquela hora.

No caminho de casa, essa energia me perseguiu e eu chorava como quem sofria sem saber com o quê.
A neblina fechou a estrada, e as lágrimas ainda molhavam o meu colo. Chovia lá fora e aqui dentro.
Mas até que enfim um alento, sentei com um irmão na mesa, pra discutir essas coisas.
A trilha sonora agora era outra: How Bizarre.

O clima agora era mais ameno, a decepção era clara nos nossos rostos, mas a certeza da volta por cima era maior.
Tardiamente eu decifrava aqueles sinais. Era um aviso.
Podem falar o que quiser: eu senti. Só eu sei: foi intenso.

Há quem diga que isso é "mau olhado", "inveja", que o mal venceu o bem: eu não acredito.
Depois de refletir muito sobre o assunto, eu percebi que é justamente no que aparentemente "eu perdi" que eu ganhei.
Ganhei sim. Ganhei uma crença, ganhei um contato. Eu tenho um contato e não há tecnologia que possa nos "grampear".
Depois daquele momento, já foram várias tremedeiras e arrepios, ainda não sei decifrá-los.
Mas eu sei que tem algo me acompanhando, sempre. Não sei o que é, nem quero chamar de Deus.
Eu quero chamar isso simplesmente de uma energia. É matéria, é coisa da Terra. São elétrons, prótons, sei lá.

E nem é ceticismo da minha parte não: é que eu senti e sei que é real. Tão real quanto a gaita de "How Bizarre" ou a batera de "Mr. Brightside".
Foi tipo aquela energia dos meus primos Bauer's. Tipo aquela energia do ensaio que precedeu esse acontecido.

Eles não sabem, mas eu sei;
Eles não querem, mas eu quero;
Eles não vêem, mas eu vejo;
Eles não sentem, mas eu sinto;
essa paz.


"Ooh baby,
it's making me crazy
every time i look around
it's in my face:
How Bizarre: How Bizarre!"

Um comentário: