domingo, 30 de novembro de 2008

A Era da Pílula

A cabeça dói.
São os efeitos colaterais do remédio mais utilizado no dia-a-dia do homem: o álcool.

Remédio.
Qual a diferença essencial entre um anti-depressivo e três doses de uísque? Não sei.
Mas sei que o remédio que escolhes, seja ele qual for, surtirá efeito somente no curto prazo.


Estamos vivendo a Era da Pílula.
É tanta gente que eu conheço ingerindo felicidade encapsulada que já perdi a conta.
Parece até que chegamos a um ponto da evolução que resolver os problemas da própria cabeça é coisa de gente atoa. Remédio não é mais pra quem sofre de alguma moléstia, mas pra quem é portador da doença da vida. É a "operação tapa buraco" no cérebro das pessoas.

O pior: o céu é o limite.
Veja você que conheço gente que briga com a namorada e toma remédio pra melhorar! Tem outros que já nem sabem o que é ter sono naturalmente. Parece até que toda a tecnologia que o mercado da medicina desenvolveu foi pra resolver os "problemas" que o homem nunca teve. Agora somos tão evoluídos que fome, sono, e até amor temos que tomar em comprimido. Loucura né?

E loucura é o que não é normal.
Loucura é um mini-caos.
É Hiroshima e Nagazaki, que muitas vezes são mais lembradas pelo que o mundo mostrou ser capaz do que pelas catástrofes que realmente aconteceram.

O que vejo nas cabeças das pessoas são verdadeiras bombas atômicas, que destroem a capacidade de refletir e resolver os problemas da mente e do coração. É o fast food psicológico. É a ação pragmática: tenho um problema, encontro uma solução. Ignorando se daqui a três horas ou três dias o sofrimento voltará.

Ora! Todo mal deve ser cortado pela raiz.
Pra todo problema existe uma causa, e sem saber a causa é impossível curá-lo pra eternidade. Impossível!
Pros que vivem de operação tapa buraco, pensem nisso. A Era da Pílula é regresso no que o homem tem de mais fascinante: a capacidade de refletir e resolver situações adversas.


Quanto à mim, vou ali tomar um copo d'água pois os efeitos colaterais do meu remédio predileto estão à flor da pele.

4 comentários:

  1. auu.. o galerui todo marcando presença! hauhauhau

    Diga não à Era da Pílula. Remédio é pra doente.

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  2. o remédio não faz bem seja qual for a dose mesmo que de wiskey

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  3. Eu discordo de ti, anônimo.
    Remédio remedia e faz bem em um curto prazo. Dá tranquilidade pra poder resolver os problemas sem sentir tanta dor.
    O que não pode se ser é dependente dele. Dependência é regressão. É abdicar da liberdade, e isso, seja uísque ou rivotril, sempre é um fator preocupante!

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