O destino? Pacific Beach (ou P.B.) - só pra situar o leitor: estamos morando em Imperial Beach, que é colado na fronteira com o México e P.B. é bem ao norte, tenho que pegar 2 ônibus e um trem - mas tempo não é o problema.
Antes de sair tentei convencer algum de meus comparsas a ir comigo, mas ninguém se habilitou. Como gosto da noite e a solidão é como energia pra minha mente, coloquei o meu melhor casaco, a tôca, duas calças e toquei pro ponto.
Estava nas ruas de San Diego mais uma vez só... Quer dizer, acompanhado do meu parceiro predileto: o meu Ipod. A trilha sonora variava nas mais de 3600 músicas, e me pus uma regra: não vale trocar de faixa - cabeça vazia é assim mesmo.
Esperando o primeiro ônibus, Los Lonely Boys soava como a introdução perfeita pra um "rolê" casual nas ruas mexicamericanas do sul californiano. Entrei no ônibus e pratiquei um pouco do meu espanhol com o vizinho de assento. Achei que tinha perdido o ponto do Trolley - é como chama o trem da cidade - mas não, tava tudo certo.
Chega o trem e a trilha sonora agora é rap tupiniquim, que me fez lembrar o que o meu país tem de mais triste, enquanto eu era rodeado por imagens do que a terra do Tio Sam tem de mais brasileiro. Acredite em mim: as ruas de algumas regiões de Downtown San Diego mais parecem grandes acampamentos do MST em pleno perímetro urbano - tudo isso aqui: na "Terra da Oportunidade". É triste o mundo. É cru e cruel assim, mas a realidade faz bem pra quem já andou reclamando de barriga cheia.
Desci do Trolley e fazia contas dos meus poucos dólares enquanto esperava o ônibus que chegaria finalmente à P.B. Vi no ponto um rosto familiar, era mais uma "brasuca" na califa - normal. Não a conhecia não, mas digo familiar porque são nesses momentos que agente entende o significado da palavra "nação". Por mais miscigenado que o nosso povo seja, brasileira tem cara de brasileira, seja preta, japonesa ou loira - felizmente era do tipo que eu mais curto.
Entrei no ônibus e me deparei com mais alguns e algumas brasucas, logo alguém puxa o papo e pronto: Little Brazil is happening. Telefones trocados e churrasco marcado pra Quarta-feira - é incrível como as pessoas ficam mais abertas por aqui.
Desci já satisfeito com os frutos do meu passeio pela cidade mas a barriga estava vazia e tive que parar para abastecê-la. Só os "drive-thru's" estavam abertos, e bobo que não sou, meti a minha cara desmotorizada na janelinha do mexicano que a atendia - ah, ainda não comentei isso no blog, mas a língua oficial dentro de cozinhas de fast food por aqui não tem nada a ver com inglês, é espanhol e de bigode.
Eu tentei fazer o pedido enquanto esquentava as minhas mãos nos bolsos da calça, mas o camarada que me atendia endoidou o cabeção: disse que só me atenderia se eu tirasse as mãos do bolso! Pô, eu sei que tenho sotaque de brasuca e barba por fazer, mas não achei que tinha cara de assaltante de restaurante fast food. Bom, cultura é cultura e eu prontamente atendi ao pedido daquele rapaz, tirei as mãos do bolso e peguei meu frango frito. Mas o meu pedido veio errado, e quando eu voltei pra reclamar ele quase chamou a polícia pra me prender! Loucura né?
A bateria do meu parceiro estava pra acabar e a minha cabeça já mentalizava o meu colchãozinho, então peguei o Trolley rumo ao meu "lar (nem tão) doce lar". No caminho de volta, rock'n'roll do Jet pra fazer a viagem passar mais rápido. Dois quarteirões antes de chegar em casa a bateria do meu Ipod se esgotou de vez, me poupando o trabálho de desligá-lo e me trazendo um sorriso meio bobo de quem acredita em destino.
Chegando em casa piadinhas tradicionais. O mal humor bem humorado dos meus colegas de quarto. A turma foi dormir e eu vim aqui relatar o meu passeio (nada) convencional.
Boa Noite,
"and you stay classy San Diego!"
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