quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Carta ao Eleitor

Pra quê?
Pra quê tanto movimento se a escolha pouco importa?
Palanques são picadeiros banhados por gente morta.

Morta de tentar ser
e não poder,
pois o poder é soberano
e já cansou de nos dar cano.
E ainda tem gente a me criticar
por "fugir" e "abandonar",
sair desse esforço que sempre vingou
com nada mais do que o pão que o diabo amassou.

E me revolto quando ouço o velho papo:
siga a linha - como quem diz: viva este orfanato!

Sem pai nem mãe criados sem saída
as mães que existem são "mulheres da vida"
os absurdos se tornam normais
nenhum "leão" pros animais.
Mas sim um bando de urubus
carniceiros de um lugar onde só há luz
numa utopia tão distante
quanto casamento de amor de amante.

Ah poupe-me de tanta impureza
que aliás já não fui poupado
mas deixa que a minha fraqueza
faça-me fugir pro outro lado
e sincero cantarei "que beleza"
pois meus pivetes serão poupados
de toda essa natureza
de um povo tão desnaturado.

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