Foi necessário o medo,
foi necessária a fuga
e no brusco girar do pescoço,
a desmistificação dos olhos.
Recordações se apagarão, sim, junto às vidas,
ansioso, ansioso, a-n-s-i-o-s-o
arrastar do tempo.
Ignorar o que não me soma hoje,
utópica pretensão.
Os dias correm longos, intermináveis.
Não há culpa. Não há contrato. Nunca houve nada além de nada.
Só houve um, e este quebrou, desmistificou.
O dos olhos. Falo dos olhos.
Dos olhos que viu, e viu verdade...
Ou dos olhos que viram de longe,
estes sabem muito mais.
Já sabem quais feriram e quais foram feridos.
E imaginam que os feridores ferem por terem sido feridos.
Crueldade?
Humano demasiado humano.
Já não ligam mais, cautelosamente apagam da memória
os traumas do passado recente,
repassam a ferida, o passado,
ação e reação,
já não ligam mais.
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