PARTE I - O SIM, O NÃO
Antes do sim, tudo é não. Tudo parece não.
Escuridão.
Abandonar a inércia se faz o único caminho,
me perco.
Tonto, ofuscado.
Tão magnética quanto intimidante.
Em sonhos não titubeio, não rodeio ou faço manha.
Aqui, me limito.
Me ignoro ignorando o quanto preciso mover -
Agora!
Urgência estampada em todos os olhos,
novidade, obstáculo, ternura...
Transbordas.
A calva oportunidade vem,
ou parece vir...
Enquanto penso duas vezes sinto-a escorregar como um sabonete… foi-se.
Foice.
(...)
Vazio.
(…)
PARTE II - DELÍRIO
Me conforto, não há sinal de um temido e frustrante "não".
Nem de sim...
Nem de sim? Me pergunto, e já respondo me enganando.
A verdade não sei. Queria saber…
Tento me recompor.
Tempos depois, volta, a calva,
me golpeando com olhos ainda mais hipnotizantes.
Vou ao chão.
O tempo voa em excitantes sorrisos
e entre rodeios enlouqueço:
O medo do desconhecido,
velho conhecido meu.
Mistura de medo e desejo,
um ponto caprichosamente desenhado fora dos meus limites imaginários me tira a sanidade,
me encara.
Vertigem! É isso.
Aquele medo de altura que em verdade é vontade de se jogar -
se disfarçando covardemente.
Espatifaria cautelosamente em seus olhos:
doce calafrio, delírio.
PARTE III - HOJE!
O despertador soa gritante pelas ruas da cidade. Até as pombas, assustadas, rejeitam migalhas. A hora é agora, o vagão do trem se abriu, me esperou, esperou... e faltando 40 minutos pro relógio completar meia dezena de horas de um novo dia, ela girava seu relógio de bolso. Quanto tempo eu ainda tenho?
Entrei, mas só de passagem. Conduzi-nos até o meio-campo, e na intermediária ofensiva, não arrisquei sequer uma vez: covarde. A história se repete... Mas já vejo o trem voltando, dessa vez mais magnético do que nunca. Pode passar a qualquer momento. Se eu o perder, vou ter de ir a pé. Não tenho preguiça de caminhar, mas medo de me ver só, caminhando atrás de um trem que anda dez vezes mais rápido e com os faróis focados longe de mim. Medo desse trem partir e nunca mais voltar, por isso não posso e nem quero imaginar o amanhã, mas hoje tenho que entrar.
O amanhã morreu:
Hoje!
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