quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Vidas, Marés e Estações (por André Bauer)

A vida é um ciclo, um círculo, formado por centenas, milhares, milhões de movimentos aparentemente retos, ou para melhor dizer, convencionalmente retos, começo, meio e fim. Vestibulando, calouro, formando. Criança, adolescente, adulto. Introdução, desenvolvimento, conclusão. BH, Mateus Leme, Itaúna. 1, 2, e, Já. Oi! Tudo bom? Tchau! Eu, nós, você. Outono, Inverno, Primavera, Verão. Qual vem primeiro mesmo?

Essa história de determinar onde começam e terminam as coisas é uma das mais belas invenções da mente humana. Na verdade nada começa e nada termina, a vida segue sua rota, através de pequenas paradas, de insinuações de desvio de caminhos que na verdade nada mais são do que formas de se permitir que o grande ciclo se confirme e se reinicie, seja através de outras pessoas ou através da própria pessoa como muitos acreditam. A beleza de letras maiúsculas e pontos finais está na possibilidade de reflexão imposta pelo ponto final e no doce sabor proporcionado pelas maiúsculas. Não consigo acreditar que aqueles que desconhecem a necessidade de entender os finais consigam sentir quão bom é usar o “Shift” novamente. Peço que me desculpem a ignorância, mas a não compreensão do que determinou um final cega para o novo começo que acaba de chegar e a não percepção de começo impede que amanhã haja um novo final, simplesmente porque começos e finais são criações da nossa enorme, mas limitada inteligência. Precisamos desta parada, e por isso a criamos, para que as coisas que acontecem em nossa vida possam dar significado ao seu ponto final e para que, a partir deste, o ciclo se reinicie independentemente da forma como acreditamos que ele se reinicie, através do fornecimento de vida pela decomposição, pela reencarnação ou qualquer outro caminho que passe pela cabeça.

Estive cego por um momento, durante o começo deste novo ciclo, ainda estou esfregando meus olhos, como quem sai de dentro de uma piscina com os olhos fechados, mas só o reconhecimento do final me permitiu sentir o sabor do que está por vir e a grande sensação de que nada, nada mesmo, pode ser como antes pelo simples fato de o antes ter existido.

A nossa capacidade de reconhecer começos, finais e “recomeços” nos permite a sensação de dever cumprido em relação ao fim que acabou de acontecer e traz também toda a inquietude de se antecipar ao que está por vir. Calma, não se afobe não, prepare-se. Certeza será tudo muito bom e totalmente diferente do que você espera, então concentre-se em participar de tudo aquilo que lhe seja ofertado, considere tudo o que vier pela frente como oportunidade de criar um novo final que, finalmente, trará o doce sabor de um começo.

(Este texto começou pelo final e se desenvolveu até começar)

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